segunda-feira, 30 de maio de 2011

OITO OFICIAIS LÍBIOS ABANDONAM REGIME DE MUAMMAR GADDAFI

Cinco generais e três oficiais do Exército líbio abandonaram o país e buscaram refúgio  na Itália depois de desertar do regime do ditador Muammar Gaddafi. A informação foi divulgada pela "Associated Press" e confirmada pelo ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, em entrevista à CNN.

Não há informações sobre o motivo que levou os oficiais a abandonarem a Líbia, e suas identidades não foram reveladas. Os militares passaram pela Tunísia antes de chegar à Itália, segundo fontes da rebelião líbia.

"Estes oficiais fazem parte do grupo de 120 militares que deixou Gaddafi e a Líbia nos últimos dias. Esperamos que outros se juntem ao povo líbio e abandonem esse déspota criminoso", declarou o ex-ministro das Relações Exteriores líbio, Abdel Rahman Chalgam.
Para o general líbio Salah Giuma Yahmed, as deserções dos oficiais mostram que "as forças internacionais conseguiram paralisar as tropas de Gaddafi, que contam apenas com 20% de sua capacidade militar".

Nesta segunda-feira, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, chegou à capital da Líbia, Trípoli, para buscar o que muitos analistas dizem ser a última tentativa de solução diplomática para o conflito no país do norte da África.

Um porta-voz do governo sul-africano disse que o objetivo principal da visita é assegurar um cessar-fogo imediato e o trânsito de ajuda humanitária no país. Não está claro se a visita de Zuma – a segunda à Líbia desde abril – discutirá estratégias para que o líder líbio, Muammar Gaddafi, deixe o poder.

No entanto, um funcionário do governo líbio disse que não há possibilidade de Gaddafi renunciar ou sair do país, já que ele pode ser detido sob a acusação de crimes contra a humanidade se deixar a Líbia.

Gaddafi, visto em público pela última vez em 11 de maio, não esteve entre os políticos que hoje receberam Zuma no Aeroporto de Trípoli. Ontem (29), o partido político de Zuma condenou as ações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Líbia.

"Nos juntamos ao resto do continente e a todos os amantes da paz no mundo na condenação dos contínuos bombardeios na Líbia por parte das forças ocidentais", disse o Congresso Nacional Africano (CNA) em um comunicado, após encontro de dois dias.

A África do Sul votou a favor da resolução da Organização das Nações Unidas que autorizou o uso de força para a proteção de civis líbios, mas desde então tem se mostrado crítica à campanha militar da Otan.

A pressão internacional sobre Gaddafi vem aumentando. Anteontem (28) o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse que ele não tem mais o direito de governar a Líbia. Os governos da França e Reino Unido informaram nos últimos dias que vão usar equipamentos mais sofisticados nas operações militares.

A oposição a Gaddafi, que controla parte do leste da Líbia, diz que só aceita uma solução negociada que inclua a renúncia do presidente líbio, que está no poder há quase 42 anos. Um plano de paz proposto pela União Africana em fevereiro foi rejeitado pela oposição e pela Otan, por não prever que o líder líbio abra mão de seus poderes.

Fonte: UOL Notícias